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05/12/2017 14:00

Roda de Diálogo de mulheres negras é realizada em Salvador

As mulheres negras do Nordeste iniciam nesta terça-feira (5/12), em Salvador, um ciclo de diálogos locais com foco no desenvolvimento sustentável, na promoção da igualdade de gênero e na eliminação do racismo. Os debates partem das diferentes realidades das mulheres negras – como vivem suas vidas, a dinâmica de suas comunidades e o acesso a direitos –, relacionando-as com as agendas globais das Nações Unidas que têm como propósito a eliminação das desigualdades e a promoção de direitos humanos.

Intitulado Roda de Diálogo ‘Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50: O que queremos em 2030?’, o encontro acontece no Centro de Estudos Afro-Ocidentais – CEAO, no bairro Dois de Julho, em Salvador, das 17h às 20h. A atividade é organizada pela Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) e entidades locais de mulheres negras, com o apoio da ONU Mulheres Brasil.

As Rodas de Diálogo se integram à estratégia de comunicação e advocacy político Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030, desenvolvida pela ONU Mulheres Brasil em diálogo com o movimento de mulheres negras. O objetivo da estratégia é alinhar e visibilizar as demandas apresentadas pelas mulheres negras organizadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), potencializando suas vozes, e posicionar as mulheres negras como um dos grupos prioritários nas ações voltadas à implementação dos ODS e da Década Internacional de Afrodescendentes.

É uma ação que ao mesmo tempo responde e posiciona as diferentes realidades e desafios enfrentados pelas mulheres negras em função do racismo e do sexismo nas ações a serem executadas pela ONU e o Brasil no âmbito do Marco de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021.

A paridade de gênero reivindicada pela iniciativa global “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”, da ONU Mulheres para acelerar os esforços para o empoderamento de mulheres e meninas no âmbito da Agenda 2030, será levada para as mulheres negras do Nordeste e receberá a sua releitura. “É preciso refletir a partir da perspectiva desses marcos internacionais, fazendo com que as mulheres negras tomem conhecimento sobre quais são as possibilidades para conseguir que essa Agenda se efetive”, declara Valdecir Nascimento, secretária- executiva da AMNB (Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras), uma das entidades que compõem o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030.

De acordo com Valdecir Nascimento, a proposta dos encontros é trazer a Agenda 2030 para o dia a dia do movimento para que as reivindicações que já foram postas, inclusive no manifesto da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e Pelo Bem Viver, sejam aprofundadas.

Marcha das Mulheres Negras – Para subsidiar os debates, o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 alinhou as demandas da plataforma de ação da Marcha das Mulheres Negras aos ODS, gerando potencial para ampliar e dar concretude aos anseios das mulheres negras expostos na Marcha das Mulheres Negras, realizada em novembro de 2015.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, considera fundamental a roda de diálogos por ser um momento de articulação, avaliação política e capacitação do movimento de mulheres negras do Nordeste, ao disseminar a agenda internacional da ONU entre elas. “Esses encontros são mais um fator para o fortalecimento do movimento de mulheres negras e das demandas apresentadas no Manifesto da Marcha das Mulheres Negras, marcando que elas continuam em marcha na busca por direitos, conectadas com a agenda global da ONU e seus Estados Membros. A partir de suas experiências, elas estão entre as principais vozes a serem ouvidas para que se cumpram os objetivos globais”, afirma.

Visibilidade e incidência política – As atividades foram estimuladas a partir do desenho e eixos da estratégia de comunicação e advocacy político Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030, desenvolvida pela ONU Mulheres para dar visibilidade à situação das mulheres negras brasileiras, o alinhamento entre suas demandas e a agenda internacional e visibilidade à atuação do movimento de mulheres negras. Em resumo, busca-se ouvi-las e apoiar sua incidência para o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e a Década Internacional de Afrodescendentes.

A implementação da iniciativa é feita a partir de um diálogo construtivo com um comitê, formado por integrantes das organizações da sociedade civil que atuam nas temáticas de gênero, raça e combate ao racismo, como a Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Agentes da Pastoral Negra (APNs), Coordenação Nacional de Quilombos (Conaq), Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU), Negras Jovens Feministas e integrantes negras do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres (GASC). A partir dos objetivos da estratégia, o comitê propõe ações a serem implementadas em suas áreas de atuação, a exemplo das Rodas de Conversa, que contam com apoio da ONU Mulheres.

Mulheres negras, a Agenda 2030 e a Década Internacional de Afrodescendentes – Os países membros das Nações Unidas adotaram, em 2015, a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, composta por 17 objetivos globais (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS). Entre as metas, o ODS 5 concentra as ações voltadas para igualdade de gênero, mas outros 12 também incluem questões relacionadas às mulheres. A ONU Mulheres lançou a iniciativa global “Por um Planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”, com o propósito de que todas e todos (mulheres, homens, sociedade civil, governos, empresas, universidades e mídia) trabalhem de maneira determinada, concreta e sistemática para eliminar as desigualdades de gênero.

Para enfrentar as barreiras do racismo e do machismo e em reconhecimento à necessidade de ações específicas para a efetiva inserção das mulheres negras no desenvolvimento sustentável, a ONU Mulheres Brasil adotou a estratégia Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030. A iniciativa responde também ao Plano de Ação da Década Internacional de Afrodescendentes 2015 – 2024, apoiando a solução de questões como a baixa representação política, garantia dos direitos econômicos e sociais, combate à violência e promoção do bem viver.

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