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08/09/2021 11:50

Uma em quatro mães brasileiras vivendo na pobreza enfrenta depressão pós-parto

Uma em cada quatro mães em situação de vulnerabilidade socioeconômica no Brasil apresenta sintomas depressivos no primeiro ou segundo ano pós-parto ou em ambos. O dado é de um estudo de pesquisadores vinculados à Universidade Federal de Pelotas e contratados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) por meio de um projeto financiado pelas Fundações Maria Cecília Souto Vidigal e Itaú Social, sob os auspícios do Ministério da Cidadania.

A pesquisa indicou que mulheres em situação de pobreza ou extrema pobreza correm mais risco de apresentar sintomas de depressão pós-parto se não tiverem o apoio de familiares ou companheiros durante a gravidez ou após o nascimento da criança ou nas duas condições, se tiverem baixa escolaridade e se já tiverem dois ou mais filhos.

“O estudo considerou variáveis socioeconômicas, biológicas, comportamentais, apoio recebido durante a gravidez e variáveis sobre a criança, como prematuridade, idade atual, entre outros”, explicou a consultora do PNUD e professora do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, Iná Santos.

Sobre o estudo

Apresentada no fim de agosto durante o Seminário Nacional da Primeira Infância, a pesquisa está inserida no escopo da avaliação de impacto do Programa Criança Feliz e acompanhou a situação psicológica de cerca de 3,2 mil mães, incluindo aquelas atendidas pelo programa, no período de 2018 a 2021, em 30 municípios de Bahia, Pará, Ceará, Pernambuco, Goiás e São Paulo.

Os resultados apontaram uma prevalência de 26,5% de sintomas depressivos no primeiro ano após o parto entre as mulheres entrevistadas, percentual que cai para 15% no segundo ano. “Os fatores associados à persistência dos sintomas foram semelhantes aos do primeiro ano: ausência de companheiro, falta de apoio na gestação, baixa escolaridade e a presença de dois ou mais filhos”, explicou Santos.

O levantamento também analisou os efeitos da depressão materna nas crianças pequenas, a partir de testes de desenvolvimento realizados com cerca de três mil crianças.

O relatório concluiu que a depressão pós-parto tem impacto negativo em diferentes aspectos do desenvolvimento e da saúde mental de meninas e meninos. Mães vivendo com depressão apresentam menos estímulos sensoriais, cognitivos e afetivos aos filhos, tendem a empregar punições corporais com maior frequência e expressam menos emoções positivas.

A análise mostrou ainda que crianças no primeiro ano de vida cujas mães têm sintomas depressivos tiveram pior desempenho em testes de desenvolvimento. As desvantagens apareceram em todos os domínios do teste: comunicação, coordenação motora, resolução de problemas, domínio pessoal e social.

O relatório afirma que o rastreio e o manejo de sintomas depressivos maternos deve ser um componente essencial em todos os encontros das mulheres com profissionais de saúde, durante o pré-natal e nas consultas de puericultura, particularmente na rede básica de saúde.

“O aconselhamento para planejamento familiar e a oferta de métodos anticoncepcionais modernos também devem ser fortalecidos na rede básica de saúde”, declarou Santos.

O estudo foi realizado dentro da Pesquisa de Avaliação de Impacto do Programa Criança Feliz, que vem sendo conduzido pelas instituições em parceria com o Ministério da Cidadania.

Sobre o Programa Criança Feliz – 

Criado em 2016, e implementado pelo Ministério da Cidadania, o Programa Criança Feliz é o maior programa de visitação domiciliar do mundo voltado à primeira infância, sendo referência internacional na promoção de políticas públicas para o desenvolvimento infantil.

A iniciativa apoia a gestante e a família na preparação para o nascimento e nos cuidados perinatais; colabora no exercício da parentalidade, fortalecendo os vínculos e o papel das famílias para o desempenho da função de cuidado, proteção e educação de crianças na faixa etária de até 6 anos.

O Criança Feliz está presente em 2.902 municípios brasileiros de todas as Unidades da Federação. Mais de 1,3 milhão de pessoas já foram atendidas desde o início do programa, sendo 1,09 milhão de crianças e 263 mil gestantes, em mais de 48 milhões de visitas.

 FONTE: Nações Unidas

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