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07/11/2019 17:00

Monique Evelle fala sobre inovação na periferia e lançamento do primeiro livro em Salvador

Criada no Nordeste de Amaralina, em Salvador, a jornalista, empreendedora especializada em negócios sociais e curadora de conteúdo, Monique Evelle, volta à Salvador para o lançamento de seu primeiro livro, intitulado “Empreendedorismo feminino: Olhar estratégico sem romantismo”, da Coleção Reflete o Feminino, neste sábado, 9, na Virada Sustentável.

Desmistificando o caminho de quem quer empreender no Brasil, Monique Evelle aborda no livro, principalmente, a questão do empreendedorismo e inovação nas periferias. "Tem um ponto que trago muito, é que a periferia sempre chamou de sobrevivência o que a gente chama de empreendedorismo hoje", declarou. Além disso, ela fala também sobre a própria jornada empreendedora.

"Trago também a questão de como o empreendedorismo se tornou algo popular. Tem empreendedores que posso chamar de ''palco'', eu conheço muitos. São pessoas que estão em grandes eventos, falando de quão interessante é a ideia dele, mas na prática não fazem nada ou então vivem de algo que criou no passado e não está funcionando hoje. Mesmo assim continuam dizendo que o projeto ainda existe. Então, como a gente pode fugir desse lugar de empreendedores de palco para empreendedores que vão executar?", questionou ela, em entrevista ao Portal A TARDE.

Segundo a comunicóloga, se é para se declarar empreendedor, que seja pelo menos para colocar inovação em prática. Falando sobre o cenário soteropolitano, Monique Evelle destacou pontos necessários para que novos empresários expandam o pensamento para pensar estratégias que gerem impacto. "Primeira coisa é entender que referência não é cópia, a segunda é que nem tudo o que a gente cria é, necessariamente, escalável. Às vezes a gente não tem que criar uma coisa para ganhar a dimensão do Brasil, às vezes pensar e criar algo local faz mais sentido para o negócio do que qualquer outra coisa", pontuou ela.

Pensar estrategicamente é, também, entender que nem sempre é necessário reproduzir o que as grandes revistas, programas de televisão e matérias de empreendedorismo dizem que pode ser tendência. Monique Evelle acredita que vivemos em uma geração que se sente obrigada a participar da corrida para ser "o novo Gutenberg, a nova Malala ou o novo Steve Jobs", e isso acaba impedindo que empreendedores pensem em estratégias mais eficazes, por estarem sempre visando o distante.

Com um vasto currículo, a jornalista já foi finalista do Troféu Mulher Imprensa 2018, na categoria 'Melhor Reportagem Especial sobre Mulheres'. Além disso, já viajou o Brasil pesquisando sobre Inovações Políticas nas Periferias pelo Instituto Update e GloboNews. Ela afirmou que é bom estar nesse momento de reconhecimento, mas ressalta também que entende a responsabilidade do que isso significa.

"Eu fico muito feliz às vezes, quando tem que fazer evento para 10 pessoas, porque é mais próximo. Mas a mesma emoção que faço para 10, eu faço para 10 mil. Eu fico pensando nisso (...) como posso continuar fazendo o que eu faço. Meu foco é fazer ativismo com dinheiro, como eu falo", declarou.

Inovação em Salvador

A ativista acredita que Salvador está em um momento maravilhoso, em diferentes áreas, como gastronomia, moda, cultura. Ela exemplificou citando a marca de roupas Produto Dugueto, do Nordeste de Amaralina, em Salvador, pontuando que são projetos que movimentam a cidade. "A gente tem que aproveitar o que a nossa terra tem", disse. Para a empreendedora, a preocupação é que as pessoas tentem comparar Salvador com o nível Sudeste.

"A periferia de Salvador, e em qualquer lugar do Nordeste, precisa de dinheiro para errar. Sudeste tem dinheiro para errar", observou ela, afirmando que é necessário pensar negócios e projetos que possam gerar e distribuir renda. "Acho que tem ideias no tempo certo em Salvador agora", finalizou.

Fonte: A Tarde

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